Capítulo 3: Memórias

Capítulo 2 – Serena

Capítulo 4 – Archer

Soltei uma gargalhada histérica, pensando na ironia que era ter dedicado a minha vida a um acontecimento impossível de se concretizar.

Rapidamente, essa gargalhada transformou-se em soluços horríveis e comecei a chorar.

Olhei para Serena e Marlon, ambos estavam parados, despromovidos de qualquer sentimento nas suas faces, agradeci-lhes silenciosamente, pois bastava um pequeno traço de tristeza no olhar deles para eu nunca mais parar de chorar.
Sentei-me no sofá, sem pedir autorização a Marlon, para conseguir processar o que tinha acabado de ouvir, ficámos calados durante algum tempo e apesar de ter receio de que se fechasse os olhos talvez nunca tivesse coragem de os voltar a abrir, acabei por adormecer.

Foi então que tive um sonho horrível.

Situava-me numa densa floresta, desconhecia o motivo, mas aquele local parecia-me familiar.

Ao meu lado estava o meu irmão gémeo, apesar de termos idades diferentes, ele parecia exactamente igual a mim. Ele tinha as roupas rasgadas, percebi então que este sonho era uma memória do tempo que passei na ilha, visto que Calem apenas tinha usado aquela camisola no dia do remoinho.

“Tens a certeza que devíamos confiar nele?”, perguntou ele.
“Não, mas ele é a única esperança que temos…”, respondi eu.

Era frustrante não ter controlo do meu próprio corpo, apesar de ser eu a falar.
“Como é que pudemos ter a certeza de que ele está a dizer a verdade?”, perguntou Calem.

Foi então que acordei daquela recordação antes de descobrir qual seria a minha resposta.

Olhei em meu redor, apesar de eu continuar no sofá, Serena e Marlon já não estavam na sala, deixei de lado a morte do meu irmão e aquele estranho sonho que eu tive para os procurar.

Saí da casa de Marlon e reparei que estive a dormir durante muito tempo, visto que o dia já ameaçava anoitecer.
Algum tempo depois, acabei por encontrá-los.

Ele disse-me:
-Não encontrámos nenhuma pista que nos pudesse indicar onde Torchic esteja…

Senti-me pessimamente, nas últimas horas, ignorei completamente o fato de Torchic ter sido roubado, a última vez que vi algo relacionado com ele fora quando encontrei um carro com a matrícula 00-GE-16.

Soltei um grito silencioso, percebi então que a última vez que eu li as inicias GE foi num dos espinhos de Garchomp, pensei se Torchic se poderia também tornar numa criatura horrenda como aqueles Garchomp que eu enfrentei.

Olhei para ambos os lados, Serena e Marlon não reparam que eu estava preocupado, por isso, decidi fingir que não estava com receio.

Começámos a caminhar até a casa de Marlon, para decidirmos o que iríamos fazer no futuro, apesar da minha resposta ser óbvia: encontrar Torchic e sair daquela ilha.

A cidade estava cheia e acabei por chocar contra alguém, senti uma superfície metálica no local onde deveria estar a camisola dele, por isso, olhei para o adulto.

Tinha o cabelo preto e amarelo, os seus olhos eram azuis e a sua cara revelava uma expressão rígida, o mais bizarro daquele homem era o facto de ele estar vestido com uma armadura.

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Quando o misterioso homem se virou de costas reparei que na sua armadura estavam marcadas as letras GE, devo ter demorado algum tempo a reagir, porque Marlon pediu para eu me apressar.

Precisava de respostas e eu sabia que aquele homem tinha algumas, por isso, segui-o enquanto se dirigia para o caminho oposto que nós estávamos a fazer.

Ignorei completamente os gritos de frustração de Marlon, apesar de durante todo o caminho sentir um peso na consciência visto que já era a segunda vez que o abandonara, mas não podia perder a chance de descobrir mais sobre o desaparecimento de Torchic.

Os meus pensamentos foram abafados por uma voz feminina:
-Da próxima vez que abandonares alguém, lembra-te de avisares.

Olhei para o meu lado direito e Serena estava ao meu lado, não consegui evitar de esboçar um sorriso.
-O Marlon também está aqui perto? – Perguntei eu, apesar de continuar a seguir o itinerário que o misterioso adulto estava a fazer.

Serena olhou para baixo e acenou com a cabeça horizontalmente, percebi que Marlon estava chateado comigo e eu não podia censurá-lo.

Ela olhou para mim e perguntou:
-Também reparaste nas letras?
Percebi imediatamente o que ela queria dizer, olhei para ela e respondi:
-Sim, mas como é que sabes?
-Provavelmente da mesma forma que tu sabes, devido às letras cravadas nos Garchomp. – Respondeu ela, mas eu sabia que Serena estava-me a ocultar algo.

Estava prestes a perguntar-lhe o que se passava, mas foi então que algo me agarrou o braço direito.

Era um idoso, apesar de ter uma força enorme nos braços. Olhei em meu redor e reparei que estávamos num beco escuro, em breve iria perder de vista o adulto.

Infelizmente, não podia gritar, visto que não queria que o adulto nos detectasse.
-Largue-me. – Disse eu num tom de voz baixo, mas severo.
O velho abriu um pouco a boca e disse:
-Consigo sentir uma aura negra entre um de vocês…

Fiquei irritado, sabia que era eu quem tinha aquela aura negra devido ao meu passado na ilha e não precisava que alguém o dissesse, por isso respondi:
-Espero que também consiga sentir um murro na sua cara!

Serena deu um grito histérico, por isso, o velho largou o meu braço de surpresa, isso deu-me oportunidade de fugir e não ter de bater em alguém.

Infelizmente, enquanto eu e Serena corríamos, o velho começou a berrar e, por isso, o adulto que nós estávamos a seguir descobriu-nos. Para minha surpresa, quando ele nos viu, soltou uma gargalhada e começou a correr.

Eu e Serena também começámos a correr, mas o homem estava cada vez mais longe de nós, uma hora depois, já tínhamos saído daquela cidade e os grandes prédios que nos rodeavam davam lugar agora a um extenso bosque.
-Algo não está certo… – Disse Serena enquanto ganhava fôlego para correr.
-Também acho, o homem não parece nada preocupado com a nossa presença! – Exclamei eu.
Serena olhou para mim, preocupada, e disse:
-É quase como se ele nos… estivesse a atrair para algum lugar.
E como se o homem nos tivesse ouvido, ele parou e murmurou algo.

Não tive tempo de responder, visto que alguns Pokémon similares a Scizor cercaram-nos. Percebi que eu e Serena fomos atraídos para uma armadilha.
-Como te chamas? – Perguntei eu, dirigindo-me para aquele homem.
-Podem-me tratar por Archer. – Disse ele.

Olhei melhor para os Pokémon semelhantes a Scizor, eram um pouco maiores do que o Scizor original e as suas patas eram semelhantes a lâminas aguçadas vermelhas, a sua cor dos olhos havia mudado de amarelo para azul e as suas pinças eram muito ameaçadores, talvez capaz de destruir algo… ou alguém.


#???
Ataques: ???
Géneros:???

Reparei que nas suas asas estavam escritas as letras “GE”.
-Qual é a tua relação com estes Pokémon? – Perguntei eu, referindo-me às iniciais GE.
Archer olhou para mim e respondeu:
-Com os Mega Scizor? Isso não é da tua conta.

Presumi que os Pokémon semelhante a Garchomp também se chamassem Mega Garchomp, mas achei que era uma pergunta estúpida para se fazer no meio de tantas questões que queria colocar.

Aproximei-me um pouco de Serena e disse-lhe num tom de voz baixo, discretamente, para fugirmos de Archer em caminhos contrários.

Ela aprovou a ideia e começamos os dois a correr, reparei que todos os Mega Scizor estavam atrás de mim e que eu era o verdadeiro alvo de Archer. Um pensamento tranquilizante apoderou-se da minha mente quando percebi que Serena iria ficar bem, mas rapidamente reparei que os Mega Scizor e Archer começavam-se a aproximar de mim.

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Foi apenas uma questão de tempo até ficar novamente rodeado de Mega Scizor e de Archer, olhei para o caminho que Serena tinha escolhido para se esconder e reparei que a sua fuga fora um sucesso, agora eu só precisava de arranjar uma maneira de fugir.

Sabia que ninguém me iria socorrer se gritasse, era de noite e estava numa floresta, apenas iria demonstrar a Archer que estava com medo dele.
-Qual é o teu objetivo? – Perguntei, irritado.
-Que tu voltes para a GE. – Respondeu Archer.

Cada vez que ouvia essa duas letras sentia-me com dificuldades em respirar, como se um monstro me estivesse a devorar o corpo por dentro. Percebi então que eu já me deveria ter cruzado com este homem quando estive na ilha à alguns anos atrás, visto que ele parecia conhecer-me
-O que significa GE?! – A minha voz saiu estridente, mas Archer não se pareceu interessar com esse facto.
-Se me seguires irás perceber o seu significado. – Respondeu ele num tom de voz frio e severo.

A oferta era tentadora, mas precisava de me certificar que Serena estava mesmo bem.
-Vai para o Inferno! – Disse eu.

Por momentos, Archer ficou boquiaberto, o que me deu a oportunidade de tirar Lucario da Pokébola.
Pedi a Lucario para usar Force Palm contra um Mega Scizor e ele cumpriu a minha ordem.

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O Mega Scizor foi derrotado o que me deu a oportunidade de fugir, mas foi então que Archer pronunciou uma frase horrivel:
-É uma pena não quereres saber quem matou o teu irmão.
Fiquei aterrorizado, o meu irmão fora assassinado? Por momentos, lembrei-me que ele tinha sido morto e na tristeza do olhar de Marlon quando me havia contado esse acontecimento.

-Quem é que matou o meu irmão?! – Perguntei.
Archer fez um sorriso macabro e disse:
-Se derrotares todos os Mega Scizor, eu irei-te responder a todas as perguntas que quiseres.
Contei os Mega Scizor, eram cerca de 300 deles e eu apenas tinha 4 Pokémon, mesmo assim, perguntei:
-E se eu perder?
-Só respondo às tuas perguntas no final da batalha. – Respondeu.

Sabia que Archer achava que eu iria perder a batalha e que me iria raptar, por isso, estava prestes a recusar o desafio, mas foi então que pronunciei uma palavra que me iria marcar para a vida inteira:
-Combinado.


Nota do escritor:
Olá pessoal! Tudo bem?
Espero que tenham gostado deste capítulo, onde muita coisa aconteceu.
Quem será o misterioso homem da recordação de Henri com Calem? O que significará GE e qual é a sua relação com Mega Evoluções? Quem será o assassino de Calem? A que preço Henri estará disposto a pagar para obter respostas a todas as suas perguntas? Tudo isto irá ser respondido nos próximos três capítulos,embora novos mistérios serão adicionados xD.
Também peço desculpa pelo facto do episódio ser mais curto, mas de qualquer maneira, o próximo capítulo será maior que este.
Gostaria também de pedir às pessoas que comentassem sobre a Fanfic, para saber quais são os aspectos que devo melhorar nela.
Bom, é tudo pessoal até ao próximo capítulo!

Curiosidades deste capítulo:
-Acredito que algumas pessoas já se devem ter questionado se Henri é uma personagem principal diferente ou fora do comum, visto que algumas das suas características não são normais para um personagem principal, mas isso deve-se por um simples motivo: Henri não é um herói. Talvez a construção da personalidade dele tenha sido a mais trabalhosa por isso mesmo, eu não queria que ele fosse o estereótipo de herói, que geralmente é ingenuidade, a coragem e a necessidade de proteger a sua honra, eu queria que Henri fosse alguém com características normais num ser humano, que fosse alguém desconfiado, sem se preocupar demasiado com as pessoas ao seu redor, apenas o necessário.
-Só para confirmar, os bosques onde Henri se situa NÃO É a mesma floresta do seu sonho. Não haveria necessidade de mencionar isto se a fanfic fosse um livro, mas como os capítulos só são lançados semanalmente (quando não há atrasos :p), achei que seria melhor revelar já isso para não existirem confusões.
-Também já devem ter reparado que Henri já se encontrou com alguns personagens dos jogos e do anime, por enquanto pode parecer estranho, mas no final garanto que irá fazer sentido.

Capítulo 2 – Serena

Capítulo 4 – Archer

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