Capítulo 8: Aura Pt4

Capítulo 7 – Aura Pt3

Capítulo 9 – Mega

Não, não podia ser. No entanto ela parecia tão imóvel…
-Existe alguma maneira de a salvar? – Pergunto.
-É impossível salvares uma pessoa morta. – Responde Joe sombriamente.
Marlon permanece quieto, apenas perplexo.

Porque é que eu tenho a sensação de que sei a resposta à minha própria pergunta? Procuro a aura dela, consigo senti-la, mas é como uma chama prestes a desaparecer.
Ouvi um barulho que me estava a incomodar, até que percebi que era a minha respiração acelarada.
-Ela ainda não morreu! – Exclamo.
Joe permanece silencioso até dizer:
-Em breve perderá a sua aura e ficará sem vida, é isso que uma esfera de aura faz às pessoas.

Ponderei argumentar com a Aura Sphere de Lucario, já que esta tinha efeitos diferentes nos Pokémon, mas tenho a certeza de que ele iria me dar outra explicação e não tinha tempo para isso.

Tinha a sensação de que havia algo que me estava a esquecer, por isso, fiz o que menos queria fazer naquele momento, reaver algumas das minhas memórias.

Pisquei os olhos e quando os voltei a abrir encontrava-me numa floresta com Calem.
Agora conseguia reconhecer o local onde estávamos, na pequena cópia de uma parte de Mirage Island que eu tinha sido levado pelo tornado de água no primeiro dia em que entrei na ilha, só que desta vez não era uma réplica, era a verdadeira.

Já tinha visto este local no meu sonho à pouco tempo atrás.
-Tens a certeza que devíamos confiar nele? – perguntou Calem.
-Não, mas ele é a única esperança que temos… – respondi eu.

Era frustrante não ter controlo do meu próprio corpo, apesar de ser eu a falar.
-Como é que pudemos ter a certeza de que ele está a dizer a verdade? – perguntou Calem.

-Ele é o nosso pai! – Digo.

As minhas próprias palavras chocam-me.
-Aquele que fingiu morrer até para a própria mulher apenas para criar um laboratório na ilha e uma organização estranha! – Resmunga Calem.

Antes de poder ouvir a minha própria resposta, sou transportado para o laboratório e um homem com alguns cabelos grisalhos começa a falar comigo, enquanto aponta para um quadro e eu estou sentando.
-Isto é a transfusão de aura, um processo com grandes hipóteses de ser mortal para o usuário, por isso, até mesmo os mestres de aura hesitam em usá-lo. Se o usares, apenas transfere parte da tua aura para garantires a tua sobrevivência, mas nunca vais necessitar dele, já que a sua utilização iria fazer com que perdesses as tuas qualidades que te fazem ter potencial para ser um mestre de aura.

Forço-me a voltar para a minha própria realidade e quando dou por mim, volto para o campo florido. Repito os gestos e ações gatafunhados que estavam presentes no quadro do cientista, Joe parece alarmado assim que percebe o que vou fazer, antes de ele ter tempo de dizer alguma coisa termino de executar a transmissão de aura.

Sinto-me mais leve, como se um grande peso tivesse sido levantado dos meus ombros, tinha acabado de perder todas as hipoteses de recuperar a minha memória agora que já não tenho os meus poderes de aura.
Serena abriu os olhos e veio a correr até mim, esperava um abraço, mas o que recebi foi uma chapada e um palavrão.
-Como pudeste!? – Berrou Serena.
-O quê? Salvar-te a vida!? – Berro eu.

Serena empurra-me e vira costas, enquanto foge de mim diz:
-Não! Bloquear-me a minha forma de pensar e planear o meu assassinato por Archer.

Devia ter percebido que ao quase tirar-lhe a aura do corpo dela, tinha tirado a minha aura que lhe tinha colocado para ela ficar obcecada por mim e que ao transmitir a minha aura transmiti-lhe também parte da minha memória como o meu plano de homicídio para com ela no passado.

Senti um vazio enorme dentro de mim quando Serena se foi embora e ficou mais complicado de conseguir respirar, Marlon veio ter comigo.
-Não te preocupes, Henri… – Começou Marlon – Eu vou continuar contigo!

“Sim, até te tornares membro da GE”, penso, mas não digo. Marlon estava completamente louco a ponto de não se preocupar com a sua própria amiga, e a culpa era toda minha, para além de que os sinais eram bem claros desde a primeira vez que fugi de pijama da casa de Marlon e este me perseguiu.
-Bem, ela é literalmente a tua “aura” gémea! – Goza Joe.

Era oficial, o velho escolhe os piores momentos para fazer as piores piadas de sempre.
-Mas foste um idiota! – Reclama Joe – Com os teus poderes podias até governar este mundo!
De que me serve o mundo, se nem sequer consigo governar-me a mim mesmo?
-Nunca tinha visto niguém possuir uma aura tão forte e com tanta precisão, tu conseguiste dar exactamente metade da tua aura para Serena! E também tiveste o cuidado de não lhe enviar nenhuma parte da tua aura negra. – Diz o velho fascinado como se eu fosse alguma aberração.

Celebi… Porque é que esse nome me veio à cabeça, assim tão repentinamente?
De repente, uma ideia veio-me à cabeça.
-Seria possível eu conseguir retirar uma parte da minha aura a outra pessoa? – Pergunto – Por exemplo, poderia retirar a minha aura de Serena se quiser?
Joe pareceu pensativo, mas acabou por responder que sim.
-Como o faço? – Pergunto rapidamente.
-Se fizeres os gestos inversos da transmissão de aura. – Responde Joe.

Viro-me para Marlon e faço o que Joe me indicou.
-O que estás a fazer? – Perguntou o velho.
-A resolver dois problemas ao mesmo tempo! – Exclamo.
Quando o processo termina caio para o chão.

Estava-me a doer a cabeça, tinha-me esforçado demais para usar aura e para além disso, tinha visto memórias que o meu cérebro e aura tinham guardadas.
Marlon estende-me a mão e eu agarro-a para me elevar.
-Mas… Não estás chateado? – Pergunto.
-Não, o que tu fizeste no passado foi horrível, mas continuas a ser o meu amigo! – Responde.
Joe estava irritado.
-Alguém me pode explicar o que se passa!? – Reclama.

Olho para ele vitorioso e digo:
-A verdade é que eu tinha colocado a minha aura no corpo de Serena e Marlon, de modo que eles ficassem obcecados por mim, mas nas memórias que revi não recebi a informação de onde tinha colocado a minha aura no corpo deles. Mas à pouco tempo percebi que só poderia ser no cérebro, pois se colocasse a minha aura aí, então eles iriam sempre lembrarem-se de mim constantemente. No entanto, não sabia se seria capaz de ser tão preciso ao ponto de conseguir acertar no cérebro de Marlon, mas como tu me falaste das minhas capacidades, achei que seria capaz. Assim consegui ter parte da minha aura de volta e salvar Marlon.
-Foi um plano inteligente. – Conclui Joe.

Agora que já tinha resolvido o problema de Marlon, o nome “Celebi” continuava a atormentar-me.
-Sabes o que Celebi significa? – Pergunto.
-É um Pokémon que dizem viajar no tempo. – Responde Joe, calmamente, fazendo parecer que é a coisa mais natural no mundo.

Percebi então qual era a maneira de salvar o meu irmão: voltando atrás no tempo até ao momento em que eu o matei.
-Tenho de me ir embora urgentemente! – Exclamo.
Joe percebeu que algo se passava, porque apenas assentiu e disse:
-Leva isto. – Disse entregando-me um livro – A próxima cidade fica a nordeste daqui.
-Obrigado! – Agradeço.
Começo a correr para nordeste quando me lembro da aura.
-Joe, qual é a minha quantidade de aura atual?
-Com a quantidade de aura que tens atualmente, acho que ainda consegues fazer esferas e barreiras de aura. –

Responde Joe – Toma cuidado no teu caminho e faz as pazes com a miúda.
Não lhe perguntei se ele achava que com a minha aura atual seria capaz de controlar a minha aura negra porque sabia que se isso fosse possível ele não me deixaria sair até a ter controlado.
-Adeus, Joe e Marlon! – Grito.

Iria sentir saudades do velho, sei que nunca o vou voltar a ver e esse pensamento deixa-me triste, assim como irei sentir saudades de Serena, de Richie e de Marlon, de repente lágrimas vieram-me aos olhos mas rapidamente forcei-me a eliminá-las e a esboçar um sorriso. Tenho de ser egoísta e salvar o meu irmão, mas também vou ser altruísta e salvar Richie voltando atrás no tempo. Percebi que o velho me tinha enganado, era impossível que alguém fosse sem-abrigo com uma visão tão otimista, roupas em ótimo estado e uma barriga enorme, mas certamente que se realmente me enganou foi com boas intenções.

Foi então que me lembrei de um detalhe extremamente perturbador, se Richie tinha nascido na ilha, então como é que seria possível ter crescido, já que Serena disse que era impossível crescer nesta ilha? Quem estaria a falar a sério e quem estaria a mentir?

Estava afogado nestes pensamento quando uma mão me toca no ombro, era Marlon.
-Posso ir contigo? – Pergunta Marlon – É que… tu sabes… agora sem a Serena, eu… fiquei sem amigos.
Fiquei feliz por Marlon ter decidido ficar comigo, por isso, respondi afirmativamente.
-Para onde nos dirigimos? – Pergunta ele.
-Para uma biblioteca qualquer! – Digo.

Agora que finalmente tinha um oportunidade de remediar todas as coisas más que fiz, sentia-me alegre e livre, no entanto o vazio deixado por Serena permanecia dentro de mim.

A paisagem composta por flores tinha dado agora lugar a uma floresta composta por erva seca e pequenas árvores cujas folhas estavam constantemente a cair, as únicas flores que se encontravam eram margaridas.


Imagem editada (Cor de Cabelo e “Tabela da route”) e retirada de: Walkthrough IGN

Marlon não me perguntou qual era o motivo da nossa visita a uma biblioteca, mas sabia que ele estava curioso.
Quando chegámos à cidade ficámos ambos muito interessados com ela.

Era uma cidade costeira, muito perto da praia, pescadores e nadadores conviviam naquele sítio, perguntei a um pescador pela direção da biblioteca e rapidamente cheguei ao meu destino.

A biblioteca era enorme, o pavimento de calcário e as paredes forradas de estuque vermelho, galerias de quadros estendiam-se até ao final da biblioteca. Não haviam computadores, nem telefones e de qualquer forma a rede de telemóveis desta ilha não permite falar com pessoas do exterior, se não já teriam vindo reforços para nos salvar.

Passo pelo lista de livros começados por “C”, Marlon começou na outra ponta do armário, mas quando olho para ele já está a ler “Como viver nas graças de Arceus”.

Fico surpreendido com a quantidade de livros que existe, sendo que têm de ter sido todos criados nesta ilha, já que não existe relação entre ela e o exterior. Enquanto penso nisto, sinto que existe algum detalhe que me está a escapar.

Passo então os olhos pelo livro “Celebi: Um mundo ainda por descobrir”, tiro o livro e coloco-o na mesa juntamente com o livro que Joe me deu. Leio o título do livro: “Algoritmos Urbanos Rapidamente Aproveitados” , percebi que era um anagrama para A.U.R.A, sem que alguém suspeitasse disso, achei que era melhor ler o livro quando estiver sozinho.

Olhei ao meu redor e a biblioteca estava cheia de pessoas, sedentas por um autógrafo dos pintores dos quadros presentes neste edifício, Marlon estava entre essa maré de pessoas fascinado pelas personalidades de Burgh e Viola, o pintor e a fotógrafa, respetivamente. Ao lado de Viola encontrava-se Grant, um escalador profissional.
Abri o livro de Celebi e li-o durante duas horas processessando todas as suas informações.

Decidi sair da biblioteca enquanto Marlon ainda só estava a meio da fila, quando o puxei para fora daquela multidão, ele protesta:
-Ei! Ainda só ia a meio da fila!
Fiquei feliz de ouvir Marlon a reclamar comigo, sem me colocar como o centro das suas prioridades.
-É realmente uma pena, enquanto isso eu falei com a bibliotecária Lenora e ela avisou-me de que vai partir agora um navio com pessoas imunes ao nevoeiro e eu sou uma dessas pessoas. – Informo.
-Oh! Entendo, então vamos ter de nos separar. – Deduz Marlon.
Não sei porque é que ainda me surpreende que ele não ache estranho eu conseguir passar pelo nevoeiro livremente.
-Exatamente, eles vão procurar uma saída e chamar reforços, mas eu vou procurar Celebi para salvar Richie e Calem, por favor, vai à procura de Serena, eu estarei aqui daqui a três dias. – Peço.
Marlon parece pensativo:
-Hmm… Ok!
O navio estava já a zarpar, quando entro nele.

Ninguém me recebe na recepção, por isso, avanço para a zona dos quartos, um corredor estreito forrado com tapete vermelho e com lanternas ornamentadas com ouro.

Todas as portas tinham algo escrito a marcador: Nalindo, Red, um nome que não consegui decifrar, Lucas, Hilbert, Dawn, Red novamente, Richard, Francis e Joe.
Agarro num marcador preto e escrevo o meu nome.

Ouço alguém do exterior do navio a gritar para mim, por isso saio pela porta que entrei, e quando olho para o mar, vejo Marlon montando no seu Dewott, desesperado para subir ao navio.
-Mas que raio!? – Praguejo.

Agarro na mão dele e puxo-o para dentro do barco, ele agradece-me com um sorrisinho.
-Sabes… eu não sabia o que significava “imune”, então voltei para a sessão de autógrafos, mas depois fiquei curioso e fui ver ao dicionário, depois de descobrir o que significava percebi que eu também sou como tu! – Diz ele alegre.

Pergunto-me se ao remover-lhe a aura do cérebro também lhe removi a inteligência, pensei em qual seria o motivo de não ter procurado a sua família, por isso, pergunto-lhe.
-O mar é a minha única família! – Responde ele.

Mais uma vez, senti pena de Marlon, para além de que o motivo de eu não saber da sua imunidade foi a obsessão por mim que eu obriguei-o a passar na qual ele não podia falar praticamente nada de si.
-Vamos ver quem está no convés. – Digo, tentando mudar de assunto – Temos apenas 25 horas para encontrarmos Jirachi, o Pokémon que nos guiará até Celebi.

24:43

Nota do escritor:
Pronto, acabou um novo capítulo, nem imaginam o quão cansado eu estou, depois de ter escrito e planeado o capítulo durante tantas horas. Mas valeu a pena, são poucas as coisas que me deixam tão feliz como escrever.
Espero que tenham gostado e que tenham entendido tudo o que eu escrevi. É especialmente nestes capítulos de muita explicação que eu preciso da vossa opinião.

Como deu para perceber, no próximo “arco” da história, irão aparecer algumas personagens pedidas pelos fãns. O contador das horas irá ficar ali no início de todos os capítulos, já que os próximos vão ser passados nessas 25 horas.

Curiosidades do Capítulo:
-Para as pessoas que gostam de uma história mais “humana” e “lógica”, sei que vocês já se devem ter perguntado qual será o grau de descontentamento da população, qual é o sistema político de Mirage Island e quais serão os meios da população para a sua libertação do exterior e não se preocupem, tudo isso será explicado nos próximos 10 capítulos.

Agradecimentos:
Cada vez que acabo um novo “arco” irei agradecer a tudo o que me ajudou/motivou a escrever a Fanfic:
-Pkportuga: Muito provavelmente se o site não tivesse aceitado a Fanfic, não iria publicar a história, visto que já era o segundo site a quem pedia para publicar (o primeiro foi um site em que participei como News Editor).
-Wordpress: O hospedeiro de Pkportuga e do novo site da Fanfic.
-FJCM: Um fãn merecedor de ser o primeiro a ser mencionado.
-Rodri10pt: Outro fãn igualmente dedicado e com uma ótima fanfic.
-Guilherme Pinto.
-Tiago~*.
-Jonypt.
-Anónimo de Nalindo.
-Fábio.
-Ivanhotvezzy.
-Banipupi.
-Fábio.
-Martinez11.
-MReis.

Todos vocês fazem-me sentir feliz e orgulhoso da Fanfic.
Até mais tarde pessoal!

Capítulo 7 – Aura Pt3

Capítulo 9 – Mega

5 thoughts on “Capítulo 8: Aura Pt4

  1. UPS! Pessoal, na pressa enganei-me e enviei para o portuga o rascunho do capítulo, a versão correta chega mais tarde. Por enquanto esqueçam tudo o que leram deste c8. 🙁

    1. Já está resolvido! Ah! E para o pessoal que não teve uma dedicatória na Fanfic, com FJCM e Rodri10pt, não querem que fiquem a pensar algo de errado, eu era capaz de escrever uma dedicatória a cada um de vocês, destas vez escrevi a estes dois como poderia ter escolhido outro fãn qualquer. 😀

  2. Muito obrigado, já tinha saudades de ler Mirage Island. Estes três cap. estão muito bons, deu para perceber muitas coisas. Espero e desejo-te a continuação de um ótimo trabalho 😉

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